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COMO CRIAR UMA CULTURA DE PAZ: educar para a não violência.

02/09/2011

COMO CRIAR UMA CULTURA DE PAZ: educar para a não violência.

Padre Agnaldo Soares Lima
 
O P. Jean-Marie Peticlerc, salesiano francês, em uma recente palestra afirmava que “a intuição genial de Dom Bosco, educador e fundador da Congregação Salesiana, que continua muito atual na sociedade de hoje, consistiu em saber decodificar os fenômenos de violência que observava nas periferias de Turim como sintomas evidentes da deficiência educativa”. Em outras palavras, significa dizer que por trás da questão da violência reside uma falha no processo de educação ou formação da criança, do jovem. Isto, porque a violência nasce dentro de nós e viver de modo pacífico é algo que se deve aprender.
“Não podemos esquecer que muitas vezes a violência é, de fato, o modo mais natural de administrar um conflito, de exprimir uma raiva. Não é natural, porém, mas fruto da educação, o convívio, a paz, o estabelecimento de relações respeitosas diante de quem é diferente de nós”, continua o Pe. Peticlerc. Desde quando somos ainda criançinhas, expressamos nossas contrariedades por algo que não gostamos por meio da birra, do brinquedo atirado com violência no chão, de tapinhas que a criança dirige contra o rosto de adultos. Ninguém nos ensinou a reagirmos deste modo, mas instintivamente aprendemos a fazê-lo. Diferentemente, fomos aprendendo com nossos pais e educadores a agirmos com educação, a sermos respeitosos com os mais velhos, a cumprimentarmos as pessoas, a não gritarmos, a pedirmos licença, e assim por diante.
Quando hoje constatamos a violência e a intolerância disseminadas das mais variadas formas na sociedade e, não raro, até por motivos fúteis pessoas se agridem e se ofendem, temos que concluir que falta-nos um trabalho de cuidar melhor da formação de nossas crianças. É necessário que desde quando ainda são pequenos, comecemos a incutir em nossos filhos um modo de pensar e de agir que os prepare para uma cultura de paz.
O termo “Cultura de Paz” tem aparecido com freqüência atualmente e refere-se, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a um “conjunto de valores, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados em atitudes que envolvem os indivíduos, a sociedade de um modo geral e os países. No lar, na escola e demais ambientes educativos freqüentados por crianças e adolescentes há que se fomentar o respeito pela vida e promover a prática da não violência por meio do estímulo ao diálogo e a formação da consciência para uma compreensão por parte do jovem de que é muito mais vantajoso o entendimento do que a solução dos problemas por meios agressivos e violentos.
Precisamos educar para a valorização e o respeito a todo ser humano independente da sua condição social, da sua raça, do sexo, de suas crenças. A capacidade de olhar o outro com respeito e simpatia tem que fazer parte da reflexão e dos ensinamentos propostos constantemente a todos que estão em fase de desenvolvimento e amadurecimento. Criar sensibilidade para com os mais fracos, os mais necessitados, para com os que sofrem é um caminho importante para gerar bondade, misericórdia e sentimento de solidariedade no coração de uma criança.
Precisamos ajudar nossos filhos a serem capazes de perceber desde pequenos que um sentimento de dor, de tristeza, de fome, de perda de um filho, de humilhação, de medo, de insegurança e tantos outros, machucam da mesma maneira o coração do pobre, do rico, do negro, do índio, do jovem e do velho, do homem e da mulher, enfim, de todo ser humano. Temos, portanto, que olhar a todos sempre com respeito, fomentando igualdade de direitos e de oportunidades.
Como aprender a ter atitudes pacíficas é algo que transforma o coração da pessoa, ser um cidadão de paz envolve não apenas o relacionamento com o nosso próximo, mas também nosso relacionamento com tudo o que nos cerca. Assim, o respeito e o cuidado com a natureza, com o meio-ambiente, também estão presentes na cultura de paz. Eduquemos nossas crianças para a paz e colheremos, com certeza, uma sociedade mais feliz e um mundo melhor para se viver.
“Bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)
Jesus Cristo.

* Padre Agnaldo Soares Lima, salesiano, licenciado em pedagogia e filosofia no Centro UNISAL de Lorena, SP, e bacharel em teologia pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, Itália. Atualmente é Coordenador do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) em Brasília.

Administração Mercadológica | Ciências Contábeis | Direito | Lic. em Ciências Biológicas | Licenciatura em Educação Física

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